Home Data de criação : 08/07/30 Última atualização : 09/05/10 19:09 / 21 Artigos publicados
 

testo do Marlos Ápyus  escrito em domingo 10 maio 2009 19:09

Marlos Ápyus é lider e fundador da Experiência Ápyus, banda que já lançou seu primeiro trabalho pelo Selo DoSol e está em estúdio gravando o segundo. Publicamos aqi um texto seu sobre rock e comportamento bem interessante e apropriado. Leia e reflita.

Hey Hey My My
Aos catorze anos me sentia excluído por gostar de Legião Urbana. Hoje é difícil conceber algo assim, mas num universo onde todos amavam “Limão com Mel”, “Gera Samba” ou “Leandro & Leonardo”, era para lá de transgressor usar blusas estampadas com fotos de Renato Russo. Posso estar enganado, mas acredito que é em “Alta Fidelidade” que se define admiração como sendo algo que se sente não pelo que as pessoas são, mas pelo que elas gostam.

E qual não foi a surpresa dos meus amigos ao saberem que também estava eu ouvindo, já naquela época, sons bem mais “estranhos” como Nirvana, Red Hot Chili Peppers e Smashing Pumpkins? Isso me incomodou por bastante tempo. Tanto que toda minha adolescência pode ser resumida numa constante busca por pessoas que me aceitassem. E é incrível como o gosto musical, algo que parece ser tão “detalhe“, interfere nessa aceitação, seja como causa ou como conseqüência de seu jeito de ser.

Sei que nunca me declarei roqueiro. Ou nunca quis me declarar assim. Assim como nunca quis me declarar skatista, surfista, comunista, jornalista, esquerdista ou qualquer coisa terminada em “ista“. Por cinco anos em que toquei baixo em minha antiga banda, me apresentei como o cara que tocava baixo, mas não como o baixista. Ok, uma vez ou outra me apresentei assim. Mas, pode parecer bobagem, fazia sim uma grande diferença.

A motivação do rock confunde-se com os dilemas de milhares de adolescentes que, assim como eu, tinham dificuldade em se fazerem aceitos. O rock queria se fazer ouvir, queria se sentir livre para seguir seus próprios caminhos, para fazer sexo e para tomar drogas, para cantar, dançar e se vestir da maneira que mais lhe agradasse. Mas o mundo mudou, e o rock também. O rock não quer mais ser aceito. O rock quer aceitar. O rock deixou de ser o excluído para virar aquele que exclui. O rock deixou ser esquerda para ser elite, de ser negro para ser branco, de ser adolescente para ser adulto. O rock envelheceu.

Basta entrar em qualquer lista de discussão ou comunidades orkutianas para perceber que tem sempre alguém se julgando mais “roqueiro” que você. Alguém que escuta uma banda melhor que a sua, que tem um disco mais raro que o seu, que tem uma blusa mais transada que a sua, que tem um cabelo de uma cor mais radical que a do seu. O rock se julga melhor que você. E isso desdiz tudo que objetivava o manifesto jamais escrito do roquenrou. Eles querem se vestir diferente, mas estão todos vestidos iguais. O corte de cabelo é igual. As palavras são iguais. E isso é contraditório. Quando todos remam contra a maré, contestador não passa a ser aquele que prefere seguir o caminho inicial? Quando todos fumam, radical não é o careta? Quando todos gritam, incendiário não é o que cala? Quando todos trepam, revolucionário não é o que ama?
Desisti do rock.

O rock, para mim, nada mais é do que mais uma grande idéia utilizada para fins menos nobres que os originais. Hoje serve apenas como desculpa para vagabundos vadiarem, como alimento para pseudo-intelectuais punhetarem seus cérebros, para cabeças-ocas bancarem os senhores da razão, para palavrões gratuitos se fazerem amplificados. Eu queria o rock enquanto ferramenta para unir semelhantes, e não enquanto muro para excluir os diferentes e glorificar a estupidez. Queria que as pessoas agissem porque querem agir, e não apenas porque todos estão agindo.

Rock and roll will never die. Mas eu, sim. Tanto que já morri para o rock. Já vinha morrendo há um bom tempo. Tantas palavras soam mais como uma constatação do que como uma mudança radical em meu jeito de ser. Para os “verdadeiros roqueiros”, estou morto há anos. Mas estou vivo para a música. E isso mais do que me basta. Se me agrada, independente de ser rock ou não, pode ter certeza que estarei lá dando os meus ouvidos a ela. Mas não olhem para mim estranho caso minha roupa não condiga com o visual dos presentes, caso meus pulmões não estejam inalando fumaça, caso minhas atitudes não me façam parecer um transgressor. Eu não sou roqueiro, e como não-roqueiro não preciso ser recriminado por não agir assim. Não tenho interesse em dar essas satisfações. Só tenho interesse em seguir meu próprio rumo.

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Todos os comentários desse artigo:
testo do Marlos Ápyus

  • diego

    Ter 12 Mai 2009 02:32

    eu ache muito enteresante!
    mais naum gostei quando ele falo que os rockeiro
    so quer curti a musica para fuma e beber isto e mentira!